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Conheça os critérios do Retrofitting.

Reportagem de Otávio Nunes

O empresário que deseja fazer retrofitting, ao invés de comprar uma máquina nova deve tomar alguns cuidados para que o barato não saia caro. Uma das primeiras providências é procurar uma empresa do ramo que seja idônea, para isso pode consultar um dos clientes atendidos por esta empresa, fornecer o máximo de informações possíveis sobre a máquina e saber o nome dos fornecedores dos equipamentos novos (motores e CNCs, por exemplo) que serão instalados na reforma.

Uma empresa de retrofitting conceituada no mercado, com um bom número de máquinas reformadas em operação e com um nome a zelar, terá condições de informar ao cliente se o mais viável é a reforma ou a compra de uma máquina nova. Como em qualquer tipo de serviço, os preços logicamente vão variar entre um orçamento e outro, mas o empresário deve ter o bom senso em estabelecer outros critérios, além do preço, a escolha de quem vai mexer em sua máquina.

De acordo com Edson Casagrande, diretor da MCS, fabricante de CNCs a mais de 20 anos, a honestidade deve prevalecer em ambas as partes na hora de definir o negócio. "O retrofitting é um processo mais econômico que a aquisição do equipamento novo, porém não deve ser encarado como mágica ou milagre e o que nem sempre será viável. Às vezes, o empresário compra a máquina num leilão e não recebe a documentação, como os manuais, esquemas elétricos etc necessários para conhecer o seu funcionamento, o que pode dificultar o trabalho, bem como a avaliação do preço a ser cobrado para fazer o retrofitting", explica Edson. Ele diz também que a MCS realiza periodicamente cursos para recicla-gem de técnicos em retrofitting, envolvendo a instalação de CNCs, mantendo um cadastro de empresas do ramo.

Como Fazer

Marcílio de Azevedo, da HSE Eletrônica e Automação, de Americana (SP), ensina o caminho das pedras para um retrofitting bem-sucedido, e revela que estabelecer preço é realmente complicado e pode até inviabilizar o negócio. "Não vendemos produtos, mas serviço e tecnologia", ele esclarece. Ele diz que a empresa de retrofitting, em princípio, tem de acreditar nas informações do cliente. Porém, às vezes o proprietário garante que a máquina está boa e o técnico verifica que não. "Este erro de avaliação não é por má intenção do cliente, mas por desconhecimento de detalhes técnicos", ressalva Marcílio.

Marcílio, ainda explica que em máquinas de pequeno porte o retrofitting só se justifica se for para obter uma especialização que não se encontra normalmente no mercado. "Se o cliente quer apenas a reforma, temos de ser honestos e aconselhá-lo a comprar uma nova que, pelo FINAME ficará mais fácil de pagar e terá a garantia do fabricante". Um exemplo de especialização em equipamento pequeno citado por Marcílio, foi o retrofitting que fez a pedido de uma indústria, para obter uma máquina capaz de produzir peças ortodônticas para dentistas. "O cliente não encontrou o equipamento no mercado e se importasse da Suíça seria caríssimo". Ele observa, porém, que há uma exceção em se tratando de máquinas pequenas: "em retíficas cilíndricas e planas, o retrofitting é bastante viável".

Já em grandes equipamentos, assegura Marcílio, o retrofitting é sempre uma boa alternativa, seja para agregar novas tecnologias como o CNC ou também para a especialização. A HSE já fez reformas em máquinas para os setores de autopeças, siderúrgico, moldes, embalagens e até em equipamentos gráficos. Desde 1997 quando foi criada, informa Marcílio, a empresa já atualizou cerca de 60 máquinas.

José Fernando Perez, da CNC Service, de Santa Bárbara do Oeste (SP), há doze anos no mercado de retrofitting, informa que a experiência é fundamental na hora de avaliar o equipamento, propor o preço e executar o trabalho. "Não podemos esquecer que uma máquina reformada terá novos recursos tecnológicos e maior produtividade, dobrando sua velocidade de trabalho ou até mais, e a parte mecânica tem de suportar estas mudanças", avalia. Para ele, a estrutura mecânica do equipamento antigo é a área mais complexa do retrofitting. "É a parte mecânica que decide o preço da reforma. Se o seu custo for muito alto, é melhor comprar uma nova".

Além das mudanças mecânicas (troca de guias, verificação da velocidade do eixo árvore e outras), Perez observa que outro item fundamental é o sistema de lubrificação, necessário para que a máquina trabalhe bem com a nova velocidade que irá ganhar com a instalação de CNC e servo motores.

A CNC Service, informa seu diretor, é responsável por cerca de 370 máquinas reformadas, operando normalmente no Brasil. Como exemplo de especialização, Perez cita equipamentos para lapidação de pedras preciosas, com CNC da MCS, e uma máquina que se encontra atualmente em adaptação para produzir uma peça que será fundamental na fabricação de vergalhões na Siderúrgica Gerdau. Como prestadora de serviço, a empresa tem ainda laboratório para conserto de CNCs, faz reparos em conjuntos mecânicos de máquinas-ferramenta, manutenção de motores elétricos e alinhamento em vários tipos de equipamentos.

Satisfação

Edson Casagrande salienta que a indústria que opera com equipamentos que passaram por retrofitting tem que ter plenas garantias sobre o serviço. "A reforma é para a vida toda e não há sentido em economizar num primeiro momento e ter dor de cabeça no futuro. Se o empresário compra um equipamento novo, o fabricante o assiste com a garantia. Com o retrofitting deve ser a mesma coisa: garantia de quem reformou e de quem forneceu os novos equipamentos instalados".

Edson diz que não há fórmulas pré-concebidas para que o retrofitting dê certo. "O que existe são critérios que o proprietário do equipamento deve avaliar". Para isso, Edson elaborou uma relação de dicas, baseadas no bom senso e na experiência da MCS como fornecedora de CNCs para retrofitting, no intuito de auxiliar as empresas que desejam reformar e atualizar tecnologicamente suas máquinas.

1) Saber como seu equipamento está mecanicamente;
2) Conseguir a máxima documentação possível, como manuais, esquemas elétricos, de lubrificação etc;
3) Conhecer máquinas similares que foram atualizadas e saber sobre os resultados;
4) Buscar referências da empresa de retrofitting;
5) Não se iludir apenas com o preço de CNC, motores e acionamentos;
6) Exigir da empresa de retrofitting documentação sobre os equipamentos que foram instalados, bem como o processo de adaptação;
7) Treinar técnicos de manutenção e operadores que irão trabalhar na máquina reformada,
8) Definir o responsável pela "nova" máquina: o dono do equipamento ou a empresa que fez o retrofitting. Nunca transferir esta responsabilidade para os fornecedores dos dispositivos instalados.

Conheça mais um Curso realizado pela MCS.
MCS organiza o 2º Encontro de Retrofitting.
Veja a matéria da Usinagem Brasil sobre os lançamentos MCS na MECÂNICA 2010.

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